May 04
Em Homem-Aranha 3, Parker já se encontra mais confortável no uniforme azul e vermelho. Se no filme anterior ele se encontrava indeciso em relação ao seu novo papel para a cidade de Nova York, neste ele já está habituado a ser o amigo da vizinhança e salvar os dias na Big Apple. Enquanto o romance com Mary Jane (Kirsten Dunst) parece caminhar para algo mais sério, ela mesma continua tentando a sorte como atriz, conseguindo até um papel numa peça da Broadway. Mas as dificuldades não demoram a aparecer na vida do nosso herói. Desta vez, três vilões aparecem na vida do Homem-Aranha. Primeiramente, temos Harry Osborn (James Franco), que está louco para vingar a morte de seu pai, Norman (Willem Dafoe). Para quem não se lembra, o ricaço vestia a armadura do Duende Verde em Homem-Aranha (2002) e a parafernália do vilão está disponível para seu filho, que não pensará duas vezes em usá-la contra o aracnídeo em busca de sua vingança. Além disso, o bandido Flint Marko (Thomas Haden Church), que assassinou Ben Parker (Cliff Robertson) no primeiro filme, foge da prisão e vira o Homem-Areia após um acidente envolvendo testes nucleares. Para finalizar, um simbionte extraterrestre cai no Planeta e na vida de Peter Parker. Sua presença é capaz de exaltar o lado mais maldoso do super-herói, que encontra em si mesmo um vilão. Paralelamente, o fotógrafo freelancer Eddie Brock (Topher Grace) está louco para tirar o posto de Parker como o principal fotógrafo do Aranha para o jornal dirigido por J. Jonah Jameson (J.K. Simmons).
O roteiro de Homem-Aranha 3 consegue lidar muito bem com essa grande quantidade de novos vilões e personagens na vida de Peter Parker. As sub-tramas são bem desenvolvidas e resolvidas, tornando a produção mais do que um simples filme de super-herói: a complexidade tanto dos personagens quanto das situações eleva o filme a um patamar superior. O filme dosa com maestria os conflitos internos dos personagens, mostrando que atrás de super-poderes sempre há um ser humano, repleto de defeitos e dúvidas. Valores não tão nobres quanto a salvação de vidas - como o desejo de vingança pela morte do tio, a vaidade por conta da fama exacerbada e as vantagens de se ter super-poderes - tomam como nunca a mente do super-herói, especialmente quando ele é dominado pelo simbionte.
Quanto à direção de Sam Raimi, não há muito mais do que se esperar do que as incríveis cenas de ação. Homem-Aranha 3 traz mais cenas de lutas, o que é óbvio, uma vez que o herói tem mais vilões para enfrentar nesta produção. E pode apostar que elas são eletrizantes. Os já tradicionais vôos do aracnídeo entre os prédios e becos de Nova York são fluidos, muito bem acompanhados pelas câmeras. Como resultado, o espectador, mais uma vez, sente-se perfeitamente inserido na história e nas aventuras de Homem-Aranha.
Vale a pena e, pois a aventura deixa um "gosto de quero mais". Se depender de Sam Raimi e das bilheterias, provavelmente teremos um quarto filme.
[Por Angélica Bito www.cineclick.com.br]