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May 23 A Revolução MorreuO sonho da revolução, inventado pelos jovens dos anos 60, foi um dos arquétipos mais poderosos do século XX. A geração seguinte, que é minha, recebeu esse bastão de seus pais. E não passará adiante. A idéia de revolução - como objetivo de vida, como destino histórico, como esperança de salvação coletiva - está morta.
Minha geração não viu um Fidel Castro heróico, cheio de boas possibilidades, tomar o poder em Cuba de modo cinematográfico. Nós já conhecemos o Fidel autoritário, entronizado no poder, impondo discursos intermináveis a um povo congelado no tempo, impedido de ir e vir, enviado para o paredão por pensar diferente. Che Guevara, para minha geração, é um ícone numa camiseta. Ou um jovem de outro tempo que tinha o péssimo hábito de se fazer acompanhar por fuzis e pistolas.
O mito romântico do revolucionário envelheceu junto com a geração que gestou. A chegada do poder dos líderes de esquerda na América Latina nos últimos anos joga uma caçamba de cal sobre a idéia do herói vingador, do super-homem que nos indica o caminho. Lula e sua arrogância e seu fisiologismo e a enorme teia de corrupção e incompetência que o cerca. Chávez e sua eternização golpista no comando e sua cantilena demagoga e populista. Evo e seus desmandos desinformados que atropelam as instituições dias sim, dia também. Correa e o discurso antiprosperidade com que está assumindo o poder em seu país paupérrimo. A volta de Daniel Ortega à presidência, como um fantasma de si mesmo. Tudo isso expõe a fragilidade da utopia revolucionária. e o teor patético da figura do revolucionário. Barbas, camisas vermelhas e palavras de ordem se tornaram ridículas. Ainda que continuem funcionando nas urnas por algum tempo, com auxílio luxuoso de gordos programas assistencialistas, esteticamente esses elementos estão mortos.
Quem sonhou a revolução nos anos 60 se afoga hoje num poço de desencanto. Eu, ao contrário, comemoro. Se nos falta o príncipe que fará tudo por nós, que nos conduzirá ao paraíso, que nos eximirá com sua presença maravilhosa de termos de nos mexer, significa que nós mesmo é que teremos de arregaçar as mangas e amadurecer como indivíduos e como sociedade. Como a redenção não vem pronta, nós é que teremos de tomar posição na dura luta para construir uma nação a nosso redor.
O falecimento da idéia de revolução também nos ensina uma lição sobre o ser humano. O desapontamento de quase todos nós com os líderes revolucionários que chegaram ao poder nos permite aprender uma ou duas coisas sobre os governantes e sua relação com o poder, sobre o que move verdadeiramente um político, sobre a influência malfazeja que as mil facilidades oferecidas por uma máquina administartiva frouxa exercem sobre a alma humana.
Dá para aprender um bocado sobre quanto a paparicação de asseclas pode induzir à soberba - que é pior das burrices.
Quanto a exposição nos meios de comunicação e a chance de comprara gravatas caras com dinheiro público pode seduzir.
Quanto a chance de posar de sabedor de algo, de figura públca, pode arrebatar um sujeito que em outra carreira jamais chamaria a tenção de alguém.
O que sobrou é a convicção de que o líder carismático que iamnta sonhos, que proclama desejos condoreiros, que se investe da missão de tirar do poder os tiranos e de varrer as injustiças do país, assim que assume o poder, tarta de fazer tudo igual. Ou pior.
[por Adriano Silva, jornalista.] May 04 Spider-Man 3, sem dúvida o melhor da série!Em Homem-Aranha 3, Parker já se encontra mais confortável no uniforme azul e vermelho. Se no filme anterior ele se encontrava indeciso em relação ao seu novo papel para a cidade de Nova York, neste ele já está habituado a ser o amigo da vizinhança e salvar os dias na Big Apple. Enquanto o romance com Mary Jane (Kirsten Dunst) parece caminhar para algo mais sério, ela mesma continua tentando a sorte como atriz, conseguindo até um papel numa peça da Broadway. Mas as dificuldades não demoram a aparecer na vida do nosso herói. Desta vez, três vilões aparecem na vida do Homem-Aranha. Primeiramente, temos Harry Osborn (James Franco), que está louco para vingar a morte de seu pai, Norman (Willem Dafoe). Para quem não se lembra, o ricaço vestia a armadura do Duende Verde em Homem-Aranha (2002) e a parafernália do vilão está disponível para seu filho, que não pensará duas vezes em usá-la contra o aracnídeo em busca de sua vingança. Além disso, o bandido Flint Marko (Thomas Haden Church), que assassinou Ben Parker (Cliff Robertson) no primeiro filme, foge da prisão e vira o Homem-Areia após um acidente envolvendo testes nucleares. Para finalizar, um simbionte extraterrestre cai no Planeta e na vida de Peter Parker. Sua presença é capaz de exaltar o lado mais maldoso do super-herói, que encontra em si mesmo um vilão. Paralelamente, o fotógrafo freelancer Eddie Brock (Topher Grace) está louco para tirar o posto de Parker como o principal fotógrafo do Aranha para o jornal dirigido por J. Jonah Jameson (J.K. Simmons).
O roteiro de Homem-Aranha 3 consegue lidar muito bem com essa grande quantidade de novos vilões e personagens na vida de Peter Parker. As sub-tramas são bem desenvolvidas e resolvidas, tornando a produção mais do que um simples filme de super-herói: a complexidade tanto dos personagens quanto das situações eleva o filme a um patamar superior. O filme dosa com maestria os conflitos internos dos personagens, mostrando que atrás de super-poderes sempre há um ser humano, repleto de defeitos e dúvidas. Valores não tão nobres quanto a salvação de vidas - como o desejo de vingança pela morte do tio, a vaidade por conta da fama exacerbada e as vantagens de se ter super-poderes - tomam como nunca a mente do super-herói, especialmente quando ele é dominado pelo simbionte.
Quanto à direção de Sam Raimi, não há muito mais do que se esperar do que as incríveis cenas de ação. Homem-Aranha 3 traz mais cenas de lutas, o que é óbvio, uma vez que o herói tem mais vilões para enfrentar nesta produção. E pode apostar que elas são eletrizantes. Os já tradicionais vôos do aracnídeo entre os prédios e becos de Nova York são fluidos, muito bem acompanhados pelas câmeras. Como resultado, o espectador, mais uma vez, sente-se perfeitamente inserido na história e nas aventuras de Homem-Aranha.
Vale a pena e, pois a aventura deixa um "gosto de quero mais". Se depender de Sam Raimi e das bilheterias, provavelmente teremos um quarto filme.
[Por Angélica Bito www.cineclick.com.br] |
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